Eu não posso evitar…

Eu nunca estive tão velho.

Não posso evitar.

Sou assim.

Me despeço devagar, quase em bossa, dos meus sabores.

Espero ansiosamente meus fios grisalhos de sabedoria.

Que minha pele se corte em várias ao sorrir.

Espero disfarçadamente meus frios na barriga de alegria.

Me levo devagar, quase em valsa, até os meus amores.

Sou assim.

Não quero evitar.

E jamais serei tão jovem.

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Da insônia ao insulto 

Sim eu sei já faz algum tempo, acho que, de fato, essa parte minha morreu ou se fez de morta. Tanto faz. 

A questão é a minha insônia. Parece que você queria que eu voltasse aqui, mas pra que? 

E quando eu me desperto torço por um sonho mas essa minha insônia quer o seu insulto. Faz um tempo eu sei, mas sinto falta disso.

Eu acordei num quarto de hotel na Augusta em dia de eleição pra depois acordar sozinho com alguém na apuração.

Queria saber como se faz pra enterrar alguém vivo.